Como reagir às fake news

 Pedro França/Agência Senado

As notícias falsas tiveram quase 9 bilhões de “cliques” no Brasil só em 2019. É o que mostra o laboratório de pesquisas digitais e inovação, Decode Pulse, que analisou os números entre 2015 a 2019. A mesma pesquisa mostrou que, em 2015, as principais fake news estavam relacionadas ao cenário político devido às eleições de 2016 e 2018.

As análises não param. No cenário político mundial, um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, revelou que as notícias falsas se espalham 70% mais rápido do que as verdadeiras. Ou seja, um post real atinge, em média, mil pessoas, e os posts falsos, até 100 mil.

Esse movimento da desinformação digital em massa cresceu durante a campanha do então presidente Donald Trump, investigado por disseminar notícias falsas nas redes sociais, principalmente pelo Twitter. Inclusive, a própria rede sinalizou os usuários sobre a suspeita de fake news no perfil dele.

De acordo com a Avaaz, rede de mobilização social global financiada por doações de pessoas físicas, a maior parte das notícias falsas divulgadas durante as eleições à presidência dos Estados Unidos em 2020 eram relacionadas a fraudes. Cerca de 45% dos eleitores tiveram acesso a essas informações e 35% acreditaram na notícia mesmo após o fim do processo eleitoral e a confirmação do resultado.

As falsas informações podem estar estampadas de várias formas. Desde mensagens em áudio, vídeos e textos que circulam por WhatsApp e demais redes sociais de relacionamento, às mais “elaboradas”, por meio da divulgação de um portal falso de notícias e de discursos de influenciadores digitais.

Enquanto ainda não há uma lei vigente no país para punir a disseminação de notícias falsas e, enquanto tramitam no Congresso Nacional propostas que garantam uma eleição transparente, vale o alerta para quem pratica ou quem propaga esse tipo de informação: dependendo do conteúdo, pode ser configurado como injúria, calúnia ou difamação. Para não compactuar com essa atitude, recomenda-se a checagem das fontes e o acesso aos canais confiáveis de notícias.