Mídias tradicionais ou alternativas? Saiba os impactos na esfera política

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Sabemos que o interesse político é uma base para as democracias. Esse tema gera mais engajamento do público em campanhas eleitorais, período em que o público é atraído pela grande quantidade de informações disseminadas pelos atores políticos. É também o período em que a mídia cobre, mais intensamente, as campanhas. Dessa forma, os níveis de interesse sobre o assunto podem mudar conforme a experiência do eleitor, as mudanças provocadas nesse cenário ou à exposição a novas fontes de informação política. Ao longo desse tempo, o público desenvolve diferentes compreensões sobre a política, que podem ser induzidas por novas fontes de informação, como a mídia digital alternativa.

Um estudo do site americano Digital Journalism aponta que as mídias alternativas podem ser um canal de desinteresse por assuntos políticos. Mas, o que seriam as mídias digitais alternativas? De acordo com a publicação,  independente de esquerda ou de direita, são mídias que visam superar o poder e a autoridade da “grande mídia” para retratar a realidade social.

A pauta das mídias alternativas é voltada constituída por uma agenda dos que se sentem “sub-representados” e é caracterizada com um conteúdo radical, de um “anti-sistema”,  daqueles que se posicionam contra a mídia convencional. Os estudiosos caracterizam, ainda, os produtores de mídia digital alternativa como aqueles que possuem experiências, mas que são, em sua maioria, não profissionais, como indivíduos de comunidades marginalizadas, jornalistas nativos ou cidadãos.

Sendo assim, o surgimento de plataformas alternativas de mídia digital contribui, então, para atrair novos públicos para outro ambiente de notícias políticas, incluindo aqueles leitores que têm tendências em desconfiar da mídia convencional.

E o que seria a tal mídia convencional? É aquela estabelecida antes do advento da era digital e  que atinge, simultaneamente, um grande número de pessoas. A informação política fornecida por ela implica diretamente na vida dos cidadãos, portanto, de acordo com os pesquisadores, o interesse em consumir notícias políticas por esse canal é maior.

Considerando que os públicos de mídia digital alternativa também consomem conteúdo de mídia convencional,  os pesquisadores revelam que “a mídia digital alternativa frequentemente publica conteúdo com uma imagem negativa do discurso público dominante ou crítica, o que a mídia convencional se alinhou com as elites políticas e ocultou ou distorceu informações políticas relevantes.”

Eles observaram, então, que o uso de mídia digital alternativa “corrói” o interesse político dos usuários da mídia convencional. Portanto, o público da mídia tradicional pode gradualmente se tornar desinteressado pela política quando está fortemente exposto à mídia digital alternativa.

Usando dados de painel realizados durante a eleição parlamentar austríaca em 2019, o estudo considerou que:

  • A mídia digital alternativa traz uma imagem negativa da mídia e da política convencional;

  • A exposição a ambos, mídia digital alternativa e mídia convencional, deixa os cidadãos com considerações conflitantes;

  • Esse conflito pode torná-los inseguros quanto às suas próprias atitudes e posições políticas;

  • Tal experiência pode desmobilizar aos eleitores;

  • Pode levar ao aprendizado político oferecendo informações, ou criticando, o sistema político ou as políticas estabelecidas.
Por fim, concluíram que a mídia digital alternativa e a mídia convencional fornecem diferentes construções sociais da realidade. E que, em relação ao conhecimento político, quando os cidadãos são expostos a visões de mundo completamente diferentes usando a mídia digital alternativa, bem como a mídia convencional, eles têm menos probabilidade de aprender algo sobre política.  Em compensação, quando as pessoas estão atentas às notícias, aprendem mais sobre o ambiente político em comparação com os indivíduos que não prestam atenção às notícias. Ou seja, quanto maior o interesse político, maior será o aprendizado com as notícias.