A transcendência da liderança feminina

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Em todos os setores, comunidades e sociedades, as mulheres têm contribuições importantes para a liderança.  Contudo, em todos os campos de atuação e em todos os âmbitos sociais, as mulheres lutam contra preconceitos e discriminações de gênero. Tentam provar à sociedade que, assim como os homens, elas têm capacidade para ir além da reclusão à vida doméstica e familiar e que merecem ser reconhecidas e respeitadas como todo ser humano.

Segundo o Ministério do Trabalho, as mulheres estão presentes em 44% do mercado formal de trabalho, mesmo com salários 20% menores em comparação com os homens. Ademais, elas são as únicas responsáveis por 40% dos lares. Todavia, sequer alcançam 15% dos cargos eletivos do país: dos 70 mil cargos eletivos, somente 12,32% são ocupados por mulheres, segundo o Mapa da Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado.
Considerando o cenário internacional, o desempenho do Brasil é ainda mais inaceitável. O país ocupa a 140ª posição no ranking de representatividade feminina no parlamento dentre 193 países pesquisados, segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Interparlamentar. Segundo o levantamento, as mulheres brasileiras ocupam apenas 13% do total das cadeiras do Senado e 15% na Câmara dos Deputados. E no nível local, ou seja, nos 5570 municípios do país, o cenário é ainda mais grave: em quase 1/4 das câmaras de vereadores, não há sequer uma mulher eleita.
O fato é que, desde o direito de voto conquistado em 1930, muitos caminhos já se abriram para as mulheres. Entretanto, ainda existem desafios complexos e realidades que precisam ser transformadas para que seja possível avançar.
Uma política sem mulheres não pode ser considerada democrática. O futuro é melhor com mulheres em todas as mesas onde as decisões são tomadas. Por isso, é essencial fortalecer a candidatura e a eleição de lideranças femininas. E todos têm a ganhar com isso. Afinal, uma sociedade mais igualitária e próspera não será alcançada sem a equidade de gênero, inclusive e, principalmente, nos espaços de poder.
A exemplo da pandemia da Covid 19, onde houve uma resposta feminina considerável na linha de frente, na qual mulheres e meninas profissionais de saúde e inovadoras, pesquisam vacinas, tratamentos pioneiros, conduzindo centros científicos em busca de um mundo mais seguro, muitas vezes arriscando suas vidas. Elas representam 70% entre profissionais de saúde e de assistência social. No entanto, permanecem sub-representadas na tomada de decisões e liderança, pois correspondem apenas 30% das lideranças no setor de saúde global.
Já na política essa sub-representação feminina causa consequências que refletem, principalmente, mas não unicamente, na idealização, construção e execução de políticas públicas que considerem as questões do ser mulher. No entanto, há duas vertentes que se divergem quanto ao modo que essas consequências são percebidas.
Por um lado, acredita-se que a presença de mulheres um diálogo maior e um pensar mais abrangente em torno de questões que estejam relacionadas a pautas femininas. Por outro lado, há uma corrente minoritária alegando que a presença da mulher na política não implica, necessariamente, no avanço das questões femininas.