Da “rádio peão” à “rede-peão”: A comunicação mudou o mundo

Reprodução / Casa do Texto

A princípio é necessário reconhecermos o fato de que a comunicação é um elemento central da vida política contemporânea, fato que não pode ser mudado. De outra sorte, é ocioso alimentar a nostalgia dos “tempos áureos” da política, quando imperava o verdadeiro debate de ideias, sem a preocupação com a imagem ou a contaminação pelas técnicas da publicidade comercial.

Contudo, a pouco tempo vivenciamos a era da comunicação empresarial, e esta permaneceu até o início deste século sob o modelo da comunicação formal, oficial e centralizada. Onde criar, editar e distribuir informação era para poucos. A todos os demais cabia esperar pela versão divulgada, no tempo e na forma mais conveniente para os poderosos da comunicação: fossem eles os diretores dos grandes veículos – jornais, rádio e TV – ou gestores de comunicação, em organizações e entidades de diferentes tipos.
Ao longo desse tempo, tudo parecia sob controle, exceto o poder paralelo da “rádio peão” – a comunicação entre as pessoas, espontânea e caótica. Era ali no corredor das empresas, ao lado do cafezinho ou na conversa no ônibus de volta para casa, que cada indivíduo comum, com mais ou menos intensidade, sempre teve o direito de questionar, duvidar e criar novas interpretações sobre a versão oficial.
Por esse motivo, o sistema orquestrado e coeso fez com que a narrativa do mundo fosse quase sempre homogênea e controlada, o que garantiu sucesso de veículos e campanhas de comunicação milionárias, mesmo aquelas pautadas por mentiras e manipulação deliberadas.
Todavia com a implementação da internet e o alcance do mundo digital pluralizou todo este cenário. O acesso direto e independente à rede, cada cidadão passou a ter também condições de produzir, editar e distribuir sua própria comunicação “em massa”.  Tornando-se editor de sua própria história.
Dessa forma, a “rádio peão” evoluiu para o que costumam chamar de “rede peão”.  Um ciberespaço de interação, sem fronteira, que dispensa qualquer intermediação, desafia a censura e muitas vezes também o bom senso.